• Terra Sonâmbula capa
  • Terra Sonâmbula capa
< >

Livro: Terra Sonâmbula (pdf)

autor:

4
50 avaliações

Bem-vindo à melhor rede social de livros do Brasil (modéstia a parte. ;)! Tudo aqui gira ao redor da literatura, seja ela nacional ou estrangeira. Livros, livros e mais livros, nada mais importa. Tudo sobre seus autores favoritos e resenhas dos livros que você deseja ler. Perfeito para decidir qual será seu próximo livro, ou saber o que outras pessoas estão pensando sobre o livro que você já leu. Crie sua biblioteca e aproveite, o site é seu!

Nas bibliotecas (174)



+ ver todos
  • + biblioteca de Fatima

    É um livro marcante, com um enredo meio mistico e uma linguagem lírica. As histórias dos cadernos de Kindzu são o alento para um garoto e um velho, as duas pontas da vida. O sonho e a fantasia que permitem sonhar mesmo em uma terra devastada pela guerra e todas as crueldades que ela traz. O sonho que faz o homem manter sua humanidade, ou seria sensibilidade?, num ambiente desolado, um tudo parece mais um transe. Gostei muito.




  • classificou 0
    + biblioteca de Aline

    O romance Terra Sonâmbula de Mia Couto retrata a busca das personagens por liberdade e por suas identidades, elementos que foram sendo fragmentadas e destruídas pela guerra civil. O autor divide a obra em dois tempos, o enredo tece duas histórias que se encontram que vão sendo amarradas no decorrer do romance. O cenário de guerra que no livro é fictício foi baseado no conflito que ocorreu em Moçambique em 1975 e que culminou na libertação do país, deixando assim de ser colônia de Portugal, no entanto o que se segue é um longo conflito interno. Mia Couto consegue através de sua obra, falar desta guerra sem que isso se pareça com um relato histórico, obstante a isto ele utiliza de uma linguagem poética e envolvente, denunciando desta forma as realidades sociais de um país dominado, sem identidade onde até mesmo a língua vigente pertence ao colonizador que sem pedir resoluções impôs naquela terra que já tinha dono, tradições, línguas e costumes. Sobre a língua, está nos sabemos que se trata de instrumento de poder e liberdade, e é justamente sobre isto buscamos destacar neste trabalho.
    O romance começa em um ambiente que nos coloca diante de uma estrada e isso permanece ao longo de todo o enredo, a presença do caminho é constante na narrativa de Mia Couto. Logo no início é possível sentir que a terra descrita está morrendo, desfalecendo, sonâmbula, ferida pela guerra.
    Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada.
    Pelos caminhos só a hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam a boca. Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido a leveza, esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao chão, resignada aprendizagem da morte. (COUTO, 2007, p. 9)
    O velho Tuahir e o jovem Muidinga já estavam caminhando há muito tempo fugindo da guerra, até que encontraram no meio da estrada um machimbombo , todo incendiado e resolveram fazer morada ali, mesmo contra a vontade do menino. Do lado de fora do alto carro eles encontraram um homem morto, e junto com o corpo alguns cadernos, que imediatamente despertaram a atenção do menino. Estes cadernos pertenciam a Kindzu, um jovem que assim como Muidinga havia perdido tudo na guerra, primeiro foi seu pai, e depois todos os membros da família, nem mesmo o caçula Vintecinco de Junho o “Junhito” como ele carinhosamente chamava, conseguiu escapar. Um fato importante a destacar é o nome do irmão caçula de Kindzu Vintecinco de Junho, ao buscarmos fora do texto descobrimos que o nome do caçula é a data do dia em que Moçambique se tornou independente, temos aqui um evento histórico mostrando esta busca das personagens por liberdade, pois a escolha do nome do filho mais novo mostra o momento de renovação do país. Através da leitura de Muidinga é que vamos tendo acesso a estas informações da guerra e dos sofrimentos das personagens. É por meio da narrativa de Muidinga que conhecemos a historia de Kindzu.
    Observamos através da narrativa de Muidinga que Kindzu resolveu deixar sua vila e se aventurar em alto mar procurando por um lugar onde não haja guerra. Nesta viagem encontra Farida, uma mulher marcada pelo sofrimento, cujo único desejo é encontrar seu filho, fruto de um estupro por parte de seu patrão o colono português Romão Pinto. Farida fala de sua dor a Kindzu e explica que, em consequência da gravidez é obrigada a sair da casa de D. Virginia de quem sempre gostou muito, pois ela é esposa de Romão Pinto.
    Ler os cadernos de Kindzu desperta ainda mais à vontade em Muidinga de encontrar sua família, buscar sua origem, identidade e isso é instigado pelo contato com os cadernos de Kindzu que desperta no menino a vontade por liberdade chegando a pensar que Farida pode ser sua mãe. O velho Tuahir e o menino dividem seu tempo ora caminhando sem chegar a lugar algum e ora dentro do machimbonbo onde através da leitura dos cadernos podem sonhar com um país livre, diferente daquela estrada morta que esta do lado de fora do alto-carro, imaginado talvez que um dia toda a terra sonâmbula volte a ter vida.
    A linguagem em terra sonâmbula abre caminho para a liberdade, vemos que no romance os cadernos de Kindzu que foram parar nas mãos de Muidinga servem para alimentar suas esperanças em um lugar onde a guerra já fez muitos adormecerem. Todas as personagens estão se deslocando, alguns fugindo como Farida que esta no barco esperando que alguém venha leva-la para longe de sua terra que tantas feridas já lhe causaram, outros como Muidinga, Tuahir e Kindzu que estão no caminho na estrada em busca de suas identidades. Na estrada como acontece em Terra Sonâmbula e em outros romances é que acontecem os encontros, é nela que ocorrem os choques de tempo e espaço, as personagens que passam pela estrada estão indo a algum lugar, estão em uma missão ou fugindo entre tantas outras possibilidades.
    O caminho ou estrada de encontros e desencontros deste romance revelam uma busca intensa por liberdade e a liberdade que eles possuem é a da linguagem, que nem mesmo a guerra pode lhes arrancar, por exemplo, Kindzu escreve e Muidinga é o leitor de sua história e este fator os coloca livres. Durante toda narrativa o menino Muidinga lê e neste ato percorre vários caminhos, isto provavelmente os mantem livres não só da solidão, mas também revela uma possibilidade de interpretarmos como este fato ser uma possibilidade de mostrar através das personagens, que ao entrarem em contato com o mundo da escrita e da linguagem, já que a escrita é uma maneira de reconhecimento e poder constituir-se aqui como um passaporte para a liberdade.
    A busca por liberdade está presente em todas as personagens, quando analisamos o velho e o jovem lado a lado, fica clara essa expectativa de renovação, de um país que está em conflito buscando sua própria identidade. Observamos isso no menino Muidinga, que não desiste de procurar sua família, permitindo uma interpretação de personificação do país neste jovem, ou seja, o sujeito descentralizado, procura sua identidade genética de parentesco, ao mesmo tempo em que busca sua identidade nacional.
    A linguagem é em si mesma um registro de liberdade e de poder, uma vez que em todas as sociedades e até mesmo épocas desde que o homem dominou a escrita tem sido ferramenta de dominação, é só pensarmos nos períodos das grandes navegações, que o homem partindo de seu continente, terra mãe vai a procura do desconhecido. As novas terras que vislumbraram eram misteriosas, cheias de riquezas, aborígenes com suas sociedades bem definidas, cultura, religiões, política e língua. Começa então o período de extração e para infligir seu poder o visitante impõe seu idioma. Da nova terra o homem estrangeiro vai retirando praticamente todos os elementos que caracterizam a sociedade que encontrou naquele novo mundo, e a primeira é a língua. Isto aconteceu em muitas sociedades, como em todo o continente americano, por exemplo, e em alguns lugares do continente africano como é o caso de Moçambique como aparece de forma fictícia em Terra Sonâmbula de Mia Couto.




  • classificou 5
    + biblioteca de Elzi

    Um livro que é como um rio que afunda... Eu fiquei em suas margens. Belo, triste, mágico...




  • + biblioteca de Rute Neli

    Excelente leitura!
    Conta a história do velho Tuahir e o jovem Muidinga....época da guerra na África (Moçambique) , e o velho e o jovem se arrastando pela estrada...O menino encontra um diário e vai lendo durante o percurso pelas estradas. O diário conta a história de Kindzu que narra todas as agruras vividas por sua família.
    Apesar de triste a história, em minha opinião, é uma verdadeira poesia, como só Mia Couto consegue fazer do sofrimento...
    O livro foi considerado um dos doze melhores romances do século XX, mas há quem diga que é um livro de contos. Para mim, não importa a denominação, o fato é que Mia consegue me passar o sofrimento numa linguagem poética, e isso me basta...
    A história de Muidinga, Tuahir e Kidzu se entrelaçam; isso fica visível ao longo da narrativa; memórias e sonhos a conquistar, numa terra banhada em sangue e lágrimas!




  • classificou 5
    + biblioteca de Célia

    Como todos do Mia Couto, este livro é sensacional. Realidade e fantasia se misturam na medida certa. Lembra o estilo de Guimarães Rosa.




  • classificou 0
    + biblioteca de Regis

    Obra do vest ufes galera...




  • classificou 5
    + biblioteca de Valkiria

    De fato, é belíssimo!




  • classificou 5
    + biblioteca de Valkiria

    De fato, é belíssimo!




  • + biblioteca de Débora Priscila

    Muito bom esse livro, vale muito a pena lê-lo. :)







Baixe seu e-book

Download

Livro de papel na Amazon
com um super desconto!

Quero

Comprou, ajudou. :)

Compre um livro e ajude o Orelha de Livro a continuar existindo. Como assim?

Olá querido usuário,
um minutinho da sua atenção.

O que você tem achado do Orelha de livro? Saiba que para nós, não existe nada mais importante do que um usuário feliz. Gostaríamos então de lhe fazer um pedido, mas antes disso, queremos explicar algumas coisas: O Orelha de Livro é um projeto sem fins lucrativos mantido pelo MuccaShop, mas que precisa de dinheiro para continuar ativo. São diversas despesas, como servidores, computadores, funcionários, entre outras coisas que ajudam a manter nosso site no ar. Ok, você deve estar se perguntando, como posso ajudar? Oras, é bem simples. Alguns sites pedem doações aos seus usuários, mas nós não curtimos muito essa ideia. Ao invés disso, decidimos criar uma ferramenta muito útil para quem adora livros: um comparador de preços (que aparece na página de detalhes do livro) e sugestões de livros (que você já deve ter visto pelo site). Assim, sempre que encontrar um livro do seu gosto, por um preço bom, basta clicar e realizar a sua compra no site da loja. Muito fácil, não? Dessa maneira, além de estar ajudando a manter o Orelha de livro ativo e ver crescer sua biblioteca, terá nossa gratidão eterna. :) Muito obrigado, e boa leitura!

Orelha de Livro