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Livro: Corações Feridos (pdf)

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    + biblioteca de Manu

    A história é bem trágica e confusa mas quando entendida se torna um ótimo livro




  • + biblioteca de Ana Paula

    "As histórias que tenho escondidas dento de mim; se você pudesse abrir-me, leria a verdade. Olhe para dentro, retire a pele, a carne e os ossos e encontrará uma biblioteca de sofrimentos... Essas são palavras que eu nunca sussurrei nem mesmo à minha irmã, essas são palavras que não ouso pronunciar em voz alta."

    É muito difícil pra mim fazer essa resenha, perto do que Hephzibah e Rebecca passaram, minha vida foi um mar de rosas, mas sofri um tanto quando era mais nova. Só consegui fugir das surras do meu pai quando sai de casa aos 17 anos. Mas mesmo assim, a história dessas duas irmãs me tocou e comoveu. Relembrei algumas partes que eu tento a todo custo esquecer e dei graças a Deus por não ter passado metade do que elas passaram.

    Hephzibah e Rebecca são irmãs gêmeas. Rebecca nasceu com uma síndrome que deformou seu rosto, ela é a irmã feia. Hephzi é a irmã linda, todos a adoram. Mas ambas dividem um segredo que ganha força assim que as portas da igreja se fecham. Roderick é o pai dessas meninas, ele também é pastor da igreja, mas o que ele prega lá fora não é seguido dentro de sua casa. Maria, mãe das meninas, também é cúmplice. Nunca interferiu ou ajudou as garotas, ao contrário, sempre as odiou por terem nascido.
    Hephzibah e Rebecca dividem uma história única com o leitor, todos seus medos, inseguranças e sonhos são depositados neste livro, mas só uma delas terá a chance de realizar o sonho da liberdade.

    "Eram pais como Hephzi e eu tínhamos. Loucos que se vestiam com roupas normais, que sorriam e angariavam dinheiro para a caridade, malucos que ficavam de joelhos para rezar, mas que, tão logo estivessem seguros atrás de portas fechadas, tiravam as máscaras e deixavam o veneno irromper."

    Eu demorei muito para ler este livro apesar de suas poucas páginas. Achei o tema pesado, e por muitas vezes, parava em um capítulo para respirar e evitar o choro que por fim, sempre vinha. Um drama familiar emocionante e odioso. Hephzi e Reb são muito diferentes uma da outra - Hephzi gosta de atenção e por ser bonita, chama atenção, Reb prefere ficar no seu canto, brincando de ser invisível. Mas ambas se amam e se protegem, bem, Reb protege mais Hephzi, fiquei boba com o que Reb passou para que sua irmã não sofresse das mesmas coisas.

    Depois de muito tempo trancadas na casa paroquial, elas finalmente conseguem a permissão para estudar em uma escola de verdade, isso somente aos 17 anos. Durante toda a infância, os pais as ensinaram dentro de casa. Nunca saíram sozinhas, suas roupas eram de doações, a comida era escassa. Com a ida para escola, elas descobrem um novo mundo, onde existem famílias amorosas, que cuidam e amam seus filhos. Hephzi é a mais afetada, sua vontade de fugir é tão grande que pouco a pouco ela vai se esquecendo de Reb e planejando seu futuro com seu namorado. Reb tem medo pelas duas, faz planos para fugir também, mas lhe falta coragem.

    "Eu queria gritar para que eles sumissem, para que a deixassem em paz, talvez empurrá-los ou machucá-los de alguma forma para que soubessem como é ser perseguido. Entretanto, era como se Rebecca não percebesse ou nem mesmo se importasse, e foi por isso que desisti dela, deixei que ela seguisse em frente sozinha. Ela podia aceitar sua Estranholândia do jeito que queria, mas eu não me afundaria com ela."

    Sabe quando você lê um livro que te toca, comove e desperta o seu lado protetor? Pois é! Eu queria entrar no livro, pegar Reb no colo e lhe dizer que ficaria tudo bem, que eu iria ajudá-la e cuidar dela. Não gostei muito de Hephzi, achei ela superficial e cheia de mimimi. Por muitas vezes, senti raiva dela também, ainda estou tentando entendê-la. Mas Rebecca me ganhou, seja por seu jeito estudioso, de quem adora ler um livro, ou pelo seu jeito quieto, tentando passar despercebida. Sua simplicidade e o valor que deu as pequenas coisas, me deixaram emocionada e quando Roderick aparecia, minha vontade era de dar umas boas porradas nele e jogar a mãe do telhado da igreja. Outra coisa que me deixou indignada foi a indiferença dos vizinhos. Eles sabiam o que acontecia ali, e nunca fizeram nada para ajudar as meninas. Infelizmente, sabemos que situações parecidas ainda ocorrem, mesmo com tantas leis em vigor no país. Esse livro é um tapa na cara do ser humano que pode fazer mal a uma criança. É um exemplo do que a criança passa, o medo que sente, a insegurança, o desejo de amor e carinho.

    Eu adorei o jeito que a autora intercalou a narrativa em primeira pessoa do livro. Rebecca começa a história no "Depois" e Hephzi no "Antes". Vocês entenderão quando lerem. Pela narrativa, conseguimos perceber a diferença entre as duas irmãs e cada uma fala sobre a outra, contam sua história sem repetições, ressaltando algumas histórias do passado e contando o que acontece no presente.
    Encontrei alguns erros de revisão, o que não me incomodou, mas me deixou triste, porque é o primeiro livro da Novo Conceito que encontro esses erros. A capa é linda e reflete bem o enredo apresentado. Os capítulos são separados pelos nomes das protagonistas, informando quem será o narrador da vez. A diagramação é simples, com pequenos detalhes de galhos (acho que são galhos) na parte superior das páginas.

    "- Será que isso poderia acontecer com a gente? Você acha que um dia ele vai simplesmente sumir?
    Balancei a cabeça.
    - Ah, Hephzi, se isso acontecesse eu finalmente saberia que Deus nos ama."

    Gente, posso ficar aqui o dia inteiro falando sobre esse livro que ainda vai faltar elogios para ele. Então, só posso recomendar e torcer para que a história de Hephzi e Reb encante vocês também!


    http://www.livrosdeelite.blogspot.com.br/2015/01/resenha-coracoes-feridos-louisa-reid.html#.VLuf20fF9Ig




  • + biblioteca de Danielem

    Brilhante! Um dos melhores livros de ficção - será que é ficção mesmo? - que eu já li. Nunca pensei que eu pudesse ser tão parecida com uma personagem de livro.




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    + biblioteca de Thaíse

    "Hoje eles tentaram me fazer ir ao funeral da minha irmã. E eu, por fim, tive de ceder. (...) Ela sempre foi maior. Nasceu primeiro, mais forte, mais bonita, a gêmea popular. Eu vivi à sombra dela por 16 anos e gostei do frio e da escuridão; era um lugar seguro para esconder-me. Agora eu estremecia no ar pesado de janeiro. Era o primeiro dia do ano-novo, e minha irmã estava morta havia uma semana" (11)

    Estou chocada e encantada com tudo que li, do livro de estreia de Reid, até agora. Rebecca lida com a morte de sua irmã gêmea, Hephzibah, de forma não muito usual. É uma menina diferente, especial, que nasceu com uma síndrome causadora de deformidades em seu rosto. Seu pai é um fanático religioso dos piores, um homem que deixaria sem cabelos até o pastor de "Footloose".

    Reb apresenta fortes características de estresse pós-traumático e não consegue seguir em frente ou colocar a cabeça em nenhuma ideia que deixe de envolver a fuga de casa. O fantasma de Hephz a ajuda, com conselhos de desafio, que podem colocá-la em problemas. Ela ouvirá? As duas tinham uma relação estranha: enquanto a bela Hephz tinha vergonha da irmã e adorava quando ninguém percebia que elas eram parentes, ou mesmo gêmeas, Reb venerava a gêmea, e se sentia à sombra dela, tinha medo do pai, mas era capaz de encobrir todos os seus pulos.

    ... Rebecca me daria cobertura, eu podia confiar-lhe minha vida. (41)

    É uma história sobre coisas que são horríveis demais para serem contadas, mas a autora nos relata com sentimento, com imersão na personalidade de cada personagem, de tal forma que parecem diferentes pessoas escrevendo para nós.

    Ela é contada de diferentes pontos de vista: o ANTES, de Hephz e o DEPOIS, de Rebecca. É uma história muito louca, se pararmos para pensar em garotas sendo trancafiadas em casa na nossa era, nos anos do Facebook.

    É o livro que você para de ler porque precisa fazer outras coisas durante o dia, mas que te mantém pensando no que leu por muito tempo. A Vó materna das meninas é um personagem sensacional, mesmo da forma como participou do livro. É notável o grito silencioso de ajuda que aquelas meninas tentavam despertar na família, na vizinhança e na escola - um grito jamais verbalizado, nunca ouvido. A cumplicidade entre as irmãs, nem sempre mútua em intensidade, é um ponto importante da história.

    "Mais que tudo, Hephzi queria vingança. Ainda não me atrevi a revelar seu segredo, mas talvez um dia, se minha alma encontrar um lugar para respirar, eu o faça." (72)

    É um livro que choca, faz a gente perder o sono e repensar regras sociais, problemas de família, a questão do incesto, de abusos e violência doméstica, e da passividade diante de um problema alheio. Mesmo que o final tenha me deixado muito confusa - ainda sem a certeza de que li o que li, valeu a pena a leitura.







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